Bancos europeus não vão facilitar acesso ao créditoSó crédito à habitação regista alguns sinais de menor dificuldade
Os bancos europeus abrandaram as restrições nos critérios de concessão de crédito no último trimestre de 2009, revela o inquérito do Banco Central Europeu levado a cabo junto dos bancos. Mas para este ano, não se prevêem grandes melhorias.
«No geral, o inquérito aos bancos aponta para uma nova queda nas restrições de concessão de empréstimos, embora a um ritmo mais lento do que nos trimestres anteriores», pode ler-se no relatório.
O BCE revela ainda que o declínio nas restrições foi mais forte no crédito à habitação do que no crédito ao consumo e às empresas.
No que se refere às empresas, o BCE refere que o apertar das condições de crédito recuou 3% no último trimestre do ano passado, depois de ter descido 8% no terceiro e 21% no segundo. Assim, «o ponto de viragem está cada vez mais perto, mas ainda não foi atingido». Este andamento vai contra as expectativas reveladas no inquérito anterior, quando se esperava que a restrição dos critérios atingisse um valor nulo no final de 2009.
As restrições também recuaram no crédito à habitação e ao consumo, para particulares, embora a um ritmo muito mais rápido na habitação (3% no quarto trimestre após 14% no terceiro) que no consumo (10%, que comparam com os anteriores 13%).
No que se refere a este primeiro trimestre de 2010, os bancos da Zona Euro prevêem apertar ainda mais os critérios de concessão de empréstimos a empresas.
Para esta maior restrição contribuíram as expectativas relacionadas com a actividade económica, a situação específica da indústria e sectores relacionados, mas menos do que antes.
No que se refere a situações directamente relacionadas com a situação dos bancos, diferentes factores deram contributos contraditórios. Por um lado, o seu acesso ao financiamento contribuiu para um abrandamento da restrição no trimester passado. Já os custos relacionados com a sua situação em termos de capital, contribuiu para aumentar a restritividade.
Empresas pedem menos crédito, emitem mais obrigações
A procura de crédito por parte das empresas continuou a recuar (-8%) no quarto trimester de 2009 embora menos do que no trimestre anterior (-20%). O BCE atribui a descida ao facto de os investimentos fixos continuarem fracos e também à escassez de operações de fusões e aquisições no mercado. Para além disso, as empresas estão a recorrer a fontes alternativas de financiamento como a emissão de obrigações. Factores que foram apenas parcialmente compensados pelo recorde atingido na reestruturação de dívida.
No que se refere ao crédito à habitação, há cada vez mais bancos a reportarem um aumento da procura, pelo quarto trimestre consecutivo, graças às perspectivas de recuperação do mercado imobiliário.
Quando lhe foram pedidas perspectivas para 2010, os bancos da Zona Euro não anteciparam nenhum facilitismo nos próximos meses, excepto no crédito à habitação.
Fonte: Portugal Diário